A importância do conhecimento e da ciência na consolidação das faculdades e no desenvolvimento de uma sociedade moderna.

 

Numa época em que os conceitos de capitalismo e socialismo estão ainda muito presentes na nossa sociedade, mas tendem a deixar de servir os interesses das pessoas, aumenta a procura pelo desenvolvimento de uma sociedade assente no conhecimento. Uma sociedade em que a informação, a educação e a comunicação, baseadas nas potencialidades das tecnologias de informação e de comunicação, possam desenvolver-se, transpor e romper as barreiras geográficas, económicas, políticas e sociais. 

Neste quadro, as instituições de ensino em geral e, particularmente, as instituições de ensino superior têm uma responsabilidade social acrescida, uma vez que o conhecimento é o seu objeto de trabalho. A definição clássica de conhecimento é originária de Platão, segundo o qual, conhecimento consiste nas crenças verdadeiras e justificadas. Em termos práticos, o conhecimento é o processo de sistematização do mundo, reorganizando-o em diversas perspetivas, com o intuito de compreender e melhorar a intervenção humana. Essa reorganização implica a criação e a discussão de modelos interpretativos da realidade que gerem ações práticas e, continuamente, forcem a rever e melhorar a sua aplicação e ampliação ou, mesmo, o seu abandono, na medida em que o seu alcance explicativo é posto em questão por dois movimentos distintos e paralelos: Um desses movimentos deriva da perceção das suas incongruências internas e o outro, externo, resulta das tensões com a práxis. Assim, se o objeto de uma instituição de ensino superior é a produção de conhecimento, o seu foco deve ser pautado por reflexões e pela construção de processos centrados na pesquisa. A produção desse conhecimento é a própria produção da condição humana. Conhecimento e pesquisa são, então, elementos indissociáveis. Não existe conhecimento sem pesquisa, e vice-versa, como não existe a possibilidade de ministrar ensino e educação, sem pesquisa e conhecimento.

Neste sentido, atualmente as instituições de ensino superior que não tiverem uma orientação estratégica voltada para a pesquisa e o conhecimento, estão, num curto espaço de tempo, condenadas ao fracasso. Com efeito, as instituições de ensino superior, que não investirem na pesquisa e conhecimento, em primeiro lugar, não cumprem, o seu objeto social; consequentemente, não corresponderão às expetativas dos alunos – nem da sociedade em geral – cada vez mais sensíveis à importância da pesquisa e do conhecimento para as suas carreiras académicas e profissionais e para as suas vidas. Sem objeto social e sem alunos, nenhuma instituição de ensino superior resistirá, desaparecendo no tempo.      

Vislumbrando esta situação, a Funorte, enquanto instituição de ensino superior, tem demonstrado abertura para realizar investimentos em pesquisa. Paralelamente, tem procurado avaliar o retorno desse investimento, não tanto em termos financeiros, mas essencialmente na formação dos alunos e na contribuição para a sociedade, principalmente, em Montes Claros e no Norte de Minas. Com efeito, as medições e as comparações são pilares importantes da construção do nosso conhecimento e sempre foram temas centrais na ciência. Logo, não é de se estranhar que tudo culmine com a medição e a comparação da própria ciência. Todavia, medir a evolução ou a qualidade das pesquisas científicas não é uma tarefa fácil. As ferramentas mais utilizadas atualmente nas instituições de ensino e no sistema científico nacional, são os artigos científicos, publicados em periódicos nacionais e internacionais.

É neste âmbito que se justifica o reedição pela Funorte dos periódicos Humanidades e Bionorte, a par do projeto parceiro E3, sistematizado em três ordens de razões:

i) Como forma de avaliar as pesquisas e o conhecimento produzido pelos centros de pesquisa da Funorte.

ii) Como forma de transformar as pesquisas em informação acessível à comunidade científica.

iii) Como forma de potenciar as parcerias e o desenvolvimento de pesquisa numa perspetiva de troca de experiências e de conhecimento, com outros periódicos e centros de pesquisa nacionais e internacionais, por forma e entrar num processo de melhoria contínua da qualidade do ensino e sistema de educação.

Por tudo isto, felicita-se a Funorte e os centros de pesquisa, pela reedição dos periódicos. Celebra-se, neste caso em particular, a reedição da Revista Humanidades, que agora volta com uma imagem renovada, desejando os maiores sucessos editoriais.

Votos de boa leitura,

Eduardo Leite, Ph.D.

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